quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Einmal ist keinmal

pipocado por Pércio Faria Rios às 1:29:00 PM
e então... 
30 de Setembro de 2010. Três dias para o 3 de Outubro que pode mudar ou não o rumo do país nos próximos quatro anos. E parece quase inevitavel não falar sobre política.
Primeiro erro do parágrafo inicial: não é possível mudar o futuro rumo do país, posto que ele não tenha, ainda, um rumo futuro e, ao mesmo tempo, tenha apenas um. Qualquer que seja ele, será diferente dos rumos imaginários que cada um de nós projetou. Qualquer que seja ele, será igual ao Futuro único que já existe desde o passado, e do qual não temos conhecimento algum. Vivemos no presente e uma só vez, o que já é, de certa forma, bastante cruel e castra boa parte de nossa liberdade. Fazemos escolhas? Não sei. Não podemos saber as consequências delas e estamos sempre tentados a comparações com as possibilidades das consequências das escolhas que nunca fizemos. Acreditar que temos controle sobre qualquer coisa é acreditar em abóboras invisíveis que deglutem tardes no mar morto. Elvino Pinheiro já escreveu um belo texto exemplificando essa situação. O provérbio alemão é igualmente preciso: einmal ist keinmal. Uma vez não conta. Uma vez é nunca.
Segundo erro: “inevitavel” está sem acento. Inevitável.
Terceiro erro: ___________________________________________________________.
Não queria falar sobre política, e não sei se estou falando; queria falar sobre unhas ou dedos, ou quem sabe juntar as duas coisas: Mindinho pra Deputado Estadual, Seu Vizinho pra Deputado Federal, Pai de Todos para Senador, Fura-Bolo para Governador e Mata-Piolho para presidente; quem não tem seis dedos pode anular o segundo voto para o Senado. Ainda haveria a possibilidade de colocar o Polegar Opositor num partido de esquerda.
O certo é que vamos às urnas no Domingo (nós que somos obrigados a ir ou a fingir que viajamos). Vamos repetir o gesto que repetimos de 2 em 2 anos e não sabemos o que vai se repetir durante o mandato dos sujeitos – com ou sem bons predicados – que vamos escolher. O certo é que o rio de Heráclito passa e, por mais que a política não mude e sempre se repita, nós mudamos e ela é, portanto, sempre diferente. Não podemos banhar-nos duas vezes nas mesmas politicagens, nas mesmas politicadas, nas mesmas enganações (engana-se mais quem pensa que não as tem). Nas eleições passadas eu tinha as unhas mais curtas e os dedos mais finos, entendem?
Termino aqui, então, a minha louvação ao povo brasileiro que acredita que algo pode ser diferente – e sempre é, como já vimos; que acredita na mudança do caráter de mentirosos como o Sérgio Cabral, que acredita na renovação da inteligência de gente como a Weslian Roriz, que acredita na reestruturação da integridade do Calheiros, do Collor, na conversão do Garotinho ao evangelho, do Crivella sobrinho do Macedo, no DEM, na seriedade do Tiririca, no talento de Netinho de Paula... Parabéns, Brasil! Você é foda!

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