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Pipocando boas ideias em 140 caracteres.

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quarta-feira, 28 de abril de 2010

Insônia

pipocado por Gabriela Leite às 6:05:00 PM
e então... 
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dia 17 de abril de 2010, às 02h07min.


Um lápis, um papel meio amarelado, um copo de expresso, algumas poucas horas e nenhum neurônio ativo. Precisava de uma ideia o mais rápido possível, algo que me reprimisse e que mudasse o século seguinte, ou que só me salvasse dessa mediocridade. Tic, toc, tic, toc. O relógio insistia nessa infinita repetição. Senti algo delicado pousar sobre meus ombros, algo que insanamente vai se apossando de mim, nos meus sonhos mais obscuros imagino a mão delicada de uma donzela, mas volto ao meu mísero estado físico, moral e cívico e vejo que é apenas um mosquito infeliz que resolveu invadir minhas intimidades e brincar com meus mais profundos desejos. Desisto do manuscrito e encosto na cadeira que, apesar de não ser muito confortável, me acomodou como uma mãe que faz seu filho ninar nos braços. Fecho os olhos e recomeço a relembrar de tudo, do passado, da felicidade, da minha vida de verdade. Lembrei-me de quando era um fugaz amante, onde nada vencia o amor, nada me fazia mal; eu estava com ela, eu era imortal. À medida que os minutos se passavam, as coisas ficavam mais claras: ela, o quarto, sua pele. Até que consegui inteiramente sentir tudo outra vez. Não sei ao certo como aquilo estava acontecendo, nem ao menos queria saber, só queria sentir e sentir. Foi então que me vi deitado em uma cama, pareciam ser mais ou menos umas cinco da manhã, onde o orvalho ainda não havia sido evaporado, nem o sol chegado ao seu ponto máximo. Virei minha cabeça e a vi olhando pra mim, com aqueles grandes olhos castanhos-mel que pareciam ter sido beijados pelo sol. Suas coxas cor de creme de café levemente, como se não quisesse perceber, estavam pousadas sobre minhas pernas. Ela carinhava meus cabelos enquanto sorria serena. A luz da manhã beijava nossos corpos seminus, não estávamos preocupados com a hora, muito menos com o dia de amanhã, queríamos que a eternidade fosse ali, onde a paz reinava, onde ela era só minha e eu só dela. Podia ficar ali e ser alimentado por seus olhos por tempo indeterminado, podia viver daquele amor manso para sempre. Ela, delicadamente, se inclinou, a ponto de conseguir me olhar de cima. Seus cabelos caiam em meu rosto, mas eu não ligava; tinha um cheiro ótimo, salvo engano, era maçã. Aproximou seus lábios dos meus e calmamente me beijou. Era como estar entre o perfeito e o inacabado; por mais que quiséssemos, nunca chegaríamos a um modelo, já que cada beijo era único. Coloquei minha mão sobre suas costas e comecei a carinha-la, começando na altura dos seios, terminando no cox, e assim permaneci. Ela brincava com minha orelha e passava pela minha nuca, vez ou outra passeava em meu pescoço. Algum tempo depois ela se afastou, encostou sua cabeça no meu tórax e ficou brincando com os dedos em minha barriga: movimentos tortos e singelos. Ficamos ali por horas até o momento em que ela abriu a boca, pareceu balbuciar algo e se levantou. Não entendi perfeitamente as intenções do movimento, mas não questionei; não queria quebrar o silêncio tão doce que pairava sobre o lugar. Não conseguia vê-la mais, nem mesmo escutar o ruído de seus passos, até que, e de repente, um vento frio e forte invadiu o quarto. Escondi o rosto com um de meus braços, não conseguindo ver com clareza. O vento aumentava constantemente, não sabia o que fazer. Apertei meus olhos e esperei, esperei até o momento que tudo ficou turvo, o lugar era abafado, havia uma luz rareada no fundo, um relógio fazendo 'tic, toc, tic, toc' e um cheiro de café no ar. foi então que vi a situação verdadeiramente ridícula que me encontrava. Havia adormecido na cadeira, alguns rastros de baba no canto da boca denunciavam o momento. Aquilo tudo tinha sido um sonho ou pesadelo, não sei. Ficou difícil saber, já que minha única felicidade se encontrava em meu subconsciente e que durara apenas 3 ou 5 segundos. Perplexo, fixo o olhar no mural e vejo nossa foto, antiga, mas tão representativa. Ela sorria com as mãos em meus ombros, e eu como sempre, fazia alguma expressão qualquer. Levantei-me e meio que querendo cair, caminho até o banheiro, tiro a roupa, entro no chuveiro e ali fico. Saio, visto um traje noturno e me deito com a intenção de esquecer aquilo tudo. Silêncio. Mais alguns minutos e... Levanto-me, caminho até a cozinha, faço um café expresso, sento na mesa da sala e vejo logo ao lado um bloco de papel surrado, meio amarelado e um lápis. Pego e começo a bater a ponta no papel com a intenção de escrever algo, mais do que nunca precisava escrever algo, algo que me libertasse, que me reprimisse, que mudasse o século seguinte ou que só me salvasse dessa mediocridade. Tic, toc, tic toc. O relógio insistia nessa infinita repetição. Tudo de novo, nada de inovador. Mais uma noie se passava e eu ficava ali, sem sono, sem ideias, sem ela.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Viver de Restos

pipocado por Lucas Lindão às 7:13:00 PM
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"Não serve pra ninguém, dá pra Lenise". Esta frase ouvi diversas vezes do alto dos meus poucos anos.
A segunda de uma prole de cinco, nasci no seio de família de poucas posses, magra e miuda e assim permaneci durante muito tempo. Por isso, recebia o que não servia em minha irmã, em minhas primas e em filhas de amigas de mamãe. E eu gostava.
Um sapato verde, um casaco, uma calça Lee, nada que uma pequena reforma feita pelas mãos habilidosas da mamãe não desse jeito. Nada disto em nada me afetava. Recebia com prazer e ansiedade cada doação.
Até que um dia ganhei um lindo vestido de festa: curto, em organza lilás finíssima, todo plissado, cavado nos ombros e sustentado por uma gola atada ao pescoço, completamente bordada em pequenas pedras coloridas. Um primor, um encanto. Graças a Deus, coube em mim com delicadeza. Tinha sido feito pra mim!
Eis que um dia vou a um casamento com papai e mamãe (naquela época casava-se aos domingos e cantava-se parabéns na "hora do bolo") Outros tempos... E eu lá, no vestinho lilás, feliz da vida!
Mas como o jogo da vida tem suas armadilhas, mal entrei na igreja e me deparei com a ex-dona do meu vestido. Era uma menina forte, maior do que eu e mais bonita (aliás, todas as meninas eram mais bonitas do que eu). A menina atacou-me com ferocidade exclamando aos quatro cantos "tira esse vestido que ele é meu". Eu, atônita, queria que o chão se abrisse para que minha vergonha não fosse revelada.
Acuada, corri ao encontro de meu pai, que sem notar o que estava acontecendo, como ninguém mais, me abraçou de forma tão carinhosa protegendo-me do meu infortúnio, que eu me tornei novamente a mesma princesa com a qual me vesti no momento em que saí de casa.
Eu estava salva, e não só o vestido, mas mundo inteirinho era meu!


Lenise Dutra
Memória Avulsa, o Blog da lenise

Uma das histórias da minha professora de Literatura. Eu gosto muito desse texto, principalmente o final, que é espetacular. PS: Lembrei de postar!

domingo, 18 de abril de 2010

A última que deveria morrer

pipocado por Laís Brum às 11:45:00 AM
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Niterói, dia 07 de abril de 2010. Céu nublado, quando fui pro colégio, vi o pessoal da Defesa Civil lá em baixo, engraçado, foi a primeira vez que vi ‘’algo’’ do governo vir aqui na comunidade. Quarta-feira, aula de Sociologia, Segregação racial, o professor falou sobre um tal de Martin Luther King que deu esperança aos negros, falando que ele tinha um sonho de um convivência igualitária, blá, pra que gerar expectativa com algo impossível? Dormi o resto da aula. Bateu o sino, é hora de trabalhar, só uma passada rápida em casa pra esquentar o almoço pra minha irmã mais nova. Ninguém vai mais ao mercado do seu Zé, fico o dia inteiro parada no caixa, quando aparece alguém, ou é da família dele ou é pra devolver mercadoria vencida. Ele está querendo fazer uma promoção este fim de semana, não sei por que, não vai adiantar, o povo vai continuar sem dinheiro até para o mais barato, e ele vai continuar sem clientes. Liguei a televisão, e vi que a Defesa Civil ainda estava lá no morro, nem sei pra que, não tem porque ter esperança de alguém vivo lá, foram soterrados. Fim de mais um tedioso expediente, volta pra casa. Tomei banho, ensinei o dever a Julinha, e percebi que ela estava com dificuldade de leitura, não quis ajudá-la, afinal, daqui uns anos ela iria terminar o ensino médio e trabalhar no outro caixa do mercado do seu Zé, seria dar-lhe expectativas a toa. Fomos dormir antes da novela, não queria ver aqueles bonitões e pensar que um dia poderia achar um igual para mim ou para a Júlia. Deixei-a no seu quarto e fui para o meu. Um barulho estranho, fui para a varanda ver o que era, foi quando vi uma onda de barro engolindo as casas que estavam acima da minha, corri para o quarto de Julia, mas a lama me pegou no meio do caminho, que dor terrível, havia pedaços de pau, pedras, móveis e gente junto ao barro que me arrastou, foi então que o desespero aniquilou a minha dor, onde estava minha irmã, quando o deslizamento chegou ao fim, eu ainda estava consciente, só com o rosto descoberto de terra, e absolutamente ninguém por perto, foi ali que fiquei por duas horas gritando e chorando, chamando pela Julia, com dor e medo, até que um bombeiro me encontrou, me tirou de lá, uma das dores passou, mas a maior delas não. Onde estava minha pequena. A menor das dores me fez desmaiar, quando acordei, estava entrando num hospital, um médico acompanhava minha maca, ele parou no corredor e uma enfermeira lhe disse que tinha acabado de entrar com uma menina de oito anos, e que ainda vestia pijama. Ele me encostou na parede, junto com mais umas quinze macas, me deu um remédio para aliviar a dor, a enfermeira voltou e disse que a garota havia morrido, segurei o médico pela mão, Dr.David estava gravado em seu jaleco, o pedi para que me contasse como era o pijama desta menina. Ele me fitou por um momento e no meio do maior caos da minha vida, ele me disse que tudo iria ficar bem. Dormi. No outro dia e soube que havia perdido minha irmã, minhas coisas, minha casa, meus vizinhos, meus amigos, mas graças aquele médico, eu aprendi a não perder as esperanças.
OBS.: Dedico este texto ao Dr.David, pela idéia inicial do texto e por sempre estar por “perto”.

sábado, 10 de abril de 2010

Heróis

pipocado por A. às 10:41:00 AM
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10 de abril de 2010.
Nós, que tentamos(juntos)salvar todos os dias o mundo,esquecemos por vezes que somos os primeiros a precisar de salvação. Nós que negamos usar a palavra amor por amarmos demais e que de tanto chorar ficamos exaustos. Nós que abraçamos para livrar a dor, somos os que precisam de abrigo quando chega a hora de dormir. Que estamos em silêncio para escutar, somos os que tentam e não conseguem falar. Somos os que sorri quando dá vontade de gritar. Nós, que somos os mais fortes, somos os que querem ser reais, somos aqueles que precisam que nos deixem cair de joelhos no chão. Nós que tentamos ser heróis e que não suportamos voar...somos os primeiros a precisar de salvação,para salvarmos o mundo e para darmos abrigo quando chegar a hora de dormir.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

João e Maria

pipocado por Elvino Pinheiro às 9:23:00 AM
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08 de abril de 2010.


Vivemos cercados pelas nossas alternativas e por aquilo que poderíamos ter sido. Ah, se eu tivesse ido fazer jornalismo na Uerj; se tivesse feito teologia em Belo Horizonte; se eu tivesse chegado antes, chegado depois; dito 'sim', dito 'não'. Quem um dia irá dizer que foi o melhor caminho, ou foi o pior caminho?

Dois carros chegam num posto de gasolina praticamente juntos. Um homem e uma mulher. João e Maria. Gasolina e álcool. Jovens. Enquanto dois frentistas abastecem o carro, chega um terceiro carro, que para próximo a eles. De dentro, uma mulher gritando por ajuda. Os frentistas ficam paralisados, enquanto João e Maria não sabem o que fazer. Se é um assalto, não querem nem chegar perto. Porém a mulher grita que está grávida, e que está tendo um filho. Foi aí que os quatro foram ajuda-la. João até que se oferece para levá-la a algum hospital, mas ela, aos berros, diz que não vai dar tempo. Maria então sugere transferi-la para o banco de trás, pois teria que ser ali mesmo. Os frentistas saem correndo; um para pedir uma ambulância, outro para buscar toalhas, ou lenços, ou panos de chão, ou qualquer coisa do gênero.

Nenhum dos dois tinha noção do que fazer. Enquanto João esperava a criança sair, pedindo calma à mulher, Maria dizia pra ela fazer força e segurar sua mão. A mulher, aos berros, dizia que a criança estava saindo, saindo, saindo. E saiu. Quando a ambulância chegou, o bebê já havia saído, e mãe e filho foram levados a um hospital. João e Maria estão abraçados. Maria está numa crise de choro, e João está fazendo carinho em sua nuca. Ao conseguir se controlar, ela exalta o quanto João ficou calmo. Rindo, ele diz que era pavor. Ela se lembra que o bebê tinha uma marquinha no braço. Um coraçãozinho. E acha estranho uma mulher, dirigindo à noite, grávida, e sozinha. Por que sozinha? Ele responde que isso eles nunca saberão. E que nem tinha percebido marquinha nenhuma, só que era homem. Mas algo ele diz: que nem ele, e nem ela, se esqueceriam daquela noite. Nunca. Ela dá um abraço nele, e também diz nunca. Pagam pelo combustível, entram no carro, e vão cada um para um lado.

Quinze anos depois, João e Maria se encontram na rua. Se reconhecem, se abraçam, e ele a convida para um chope. O bar é assaltado por um garoto armado. João se levanta para reagir. Segundos antes do garoto disparar contra os dois, Maria vê uma marquinha no braço dele. Um coraçãozinho.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Dirigindo sem cinto

pipocado por Hítalo Rios às 3:41:00 PM
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06 de abril de 2010.


Ele podia escolher. Ele tinha outras opções. Qualquer outra coisa poderia ser melhor que uma sala cheirando a velho, com poucas pessoas tão desanimadas quanto ele. Até o momento em que sentou naquela cadeira velha, junto a outras seis pessoas com cara de velhos, dentro de uma sala que cheirava a velho, não sabia o porquê de ter escolhido estar ali.

Na noite após o dia da mentira, começava uma reunião dentro de uma sala com cheiro de velho, onde sete pessoas não sabiam se aquilo realmente aconteceria. Estavam acostumados a encontrar uma sala mais cheia de gente com cara não tão velha. Mas naquela sexta-feira, sabiam que ninguém mais apareceria por ali, e então por que continuar com algo tão vazio e com cara de velho? Estavam todos tão inseguros sobre se aquilo daria certo ou não quanto aquele que havia decidido fazer tal reunião.

Um clima chato, meia dúzia mais uma pessoa sem ânimo, um cheiro de velho, nada que seja favorável àquela situação. Até que começou! E todos se olhavam estranhamente, constrangidos e com medo de estarem fazendo daquela reunião algo totalmente mal sucedido. O que não aconteceu. As sete pessoas magicamente se sentiram livres para conversar, rir, se divertir abertamente naquela reunião. Olharam entre si e viram que eram sete amigos que estavam ali, e que poderiam fazer daquilo tudo, uma experiência muito boa pra cada um!

No dia dois de abril, às vinte horas, estava começando uma reunião que seria lembrada por um bom tempo na vida de sete pessoas. Uma reunião sem planejamento, totalmente aberta a qualquer coisa. Uma reunião que se mostrou prazerosa demais para aqueles que sentiam o cheiro de velho. Uma reunião não! Uma União!

Tenho seis nomes para agradecer: Pércio Rios, Henrique Rios, João Luís Moura de Sá (Lek Nettin), Diego Durock, Gabi Leite e Estela Faria.
 

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